Ação de Formação “Promoção da Saúde Mental e Prevenção de comportamentos suicidários na comunidade educativa”
Modalidade: Curso de Formação
Registo de Acreditação: CCPFC/ACC – 87572/16
Duração: 12 horas presenciais
N.º de Créditos: 0,5
Formadores: Professor José Carlos Santos e Enfº (Mestre) Jorge Façanha
Destinatários: Professores do 3.º Ciclo do Ensino Básico e Secundário e de Educação Especial
Local da Formação: Escolas-sede dos Agrupamento de Escolas Figueira Norte e Marquês de Marialva, Cantanhede
Inscrições:
Os professores interessados em frequentar esta ação de formação, devem preencher e enviar a ficha-inscricao-121617pd, acompanhada do BI ou do CC para geral.cfaebeiramar@gmail.com ou entregue diretamente no CFAE Beira Mar.
O período de inscrições decorrerá entre as 12,00h do dia 6 de outubro de 2016 e as 12,00h do dia 11 de novembro de 2016.
A ação de formação só irá funcionar com o número mínimo de 12 formandos (número máximo a admitir: 25 formandos).
Critérios de seleção dos formandos:
1. Docentes a exercer numa escola aderente ao Projeto +Contigo (Agrupamento de Escolas Gândara Mar, Tocha, Agrupamento de Escolas Lima-de-Faria, Cantanhede, Agrupamento de Escolas Figueira Mar, Agrupamento de Escolas Figueira Norte e Agrupamento de Escolas de Montemor-o-Velho);
2. Docentes de outras Unidades Orgânicas associadas do CFAE Beira Mar;
3. Docentes de Unidades Orgânicas não associadas do CFAE Beira Mar;
4. Ordem de inscrição.
Calendarização:
19 de novembro, sábado 09,30 – 12,30h e 14:00 – 17:00h, Figueira da Foz
26 de novembro, sábado 09,30 – 12,30h e 14:00 – 17:00h, Cantanhede
Razões justificativas:
O suicídio é um problema de saúde pública. Anualmente morrem por suicídio cerca de um milhão de pessoas em todo o mundo. Entre os jovens abaixo dos 25 anos é a terceira causa de morte (WHO, 2013).Estima-se que por cada suicídio consumado ocorram cerca de 30 tentativas. Todavia, se tivermos em conta apenas os jovens entre os 15 e os 24 anos esses números sobem para um intervalo entre 100 e 200 tentativas (Bertolote e Fleischmann,2009).
Em Portugal o suicídio nos jovens é um fenómeno d e baixa intensidade q u a n d o c o m p a r a d o com o suicídio em idades mais avançadas, sobretudo acima dos 65 anos. Contudo, os comportamentos autolesivos são relativamente comuns em jovens e, particularmente em jovens do sexo feminino (DGS, 2013). A prioridade de intervenção nesta faixa etária mantem-se dado que a ocorrência destes comportamentos na adolescência aumenta o risco de problemas na idade adulta (Wasserman et ai, 2010).
A escola assume-se como um palco privilegiado de intervenção dado que a ideação suicida e os comportamentos suicidários são comuns em idade escolar; a maioria dos suicidas, se detetados precocemente são preveníveis; permite maior custo-efetividade (Shaffer e Gould, 2009). Por outro lado, apenas uma minoria dos jovens com necessidade de cuidados de saúde mental recebe tratamento e, quando o fazem, a maioria é através da escola (Burns et ai, 1995; Cheung e Dewa, 2007), sendo do 1/3 dos problemas detetados através de programas de rastreio (Scott et a/, 2009).
Em Portugal, o Programa Nacional de Saúde Escolar considera a promoção da saúde mental como uma das prioridades.
Os objetivos do Projeto +Contigo passam por promover a saúde mental e bem-estar e prevenir comportamentos da esfera suicidária em jovens do 3° ciclo e secundário; a escola é o local privilegiado, lógico e natural para desenvolver programas de prevenção do suicídio nos jovens por várias razões (Miller,2011). De acordo com Brás e Santos (2013) podemos enunciá-los da seguinte forma:
Primeiro, a ideação suicida e os comportamentos suicidas são comuns em idade escolar e associam-se com frequência a perturbações psicológicas passíveis de serem identificadas nas escolas. Para além disso, os adolescentes recorrem mais facilmente ao psicólogo escolar do que a clínicas de saúde mental (Adelman& Taylor, 1991;Miller, 2011).
Segundo, a maioria dos adolescentes frequenta a escola, sendo que é neste local que passam grande parte dos seus dias {Miller, 2011).
Terceiro, vários agentes educativos (e.g., professores, auxiliares de educação) e os pares, se devidamente informados, poderão identificar mudanças de comportamentos, atitudes e sinais de alerta para o risco de Suicídio {Henriques & Soeiro, 2006).
Quarto, as escolas são os locais “onde ensinar e aprender são tarefas normativas e onde as interações com os pares podem ser mobilizadas em tomo de um tema comum”(Berman et ai,2006), o que toma propicio a prestação de informação e discussão de temáticas importantes como é o caso dos comportamentos suicidas {Shaffer & Gould,2000). As escolas têm também facilidade em prestar formação aos professores, ao staff escolar, em envolver os pais nas atividades educativas e em colaborar com os serviços de Saúde {Capuzzi, 2009). Assim, o desenvolvimento de estratégias de prevenção no contexto escolar representa uma utilização proficiente dos recursos escolares em termos de custo- eficácia {Shaffer & Gould, 2000).
Quinto, as atividades psico-educativas ou de desenvolvimento de competências normalmente integradas nos programas de prevenção do suicídio enquadram-se nas missões de educação, socialização e de proteção dos alunos pela escola {Miller,2011)A escola tem a responsabilidade de moderar a ocorrência de comportamentos de risco e disponibilizar recursos de ajuda seguros para os seus alunos.
A formação de porteiros sociais é feita através de sessões formais onde a adolescência, a depressão, os mitos sobre o suicídio, sinais de alarme, fatores protetores, fatores de risco, noção de crise e a gestão de casos em ambiente escolar são abordados. As metodologias utilizadas são expositivas, discussão de casos e role-play.
A formação de professores visa sobretudo os mitos sobre comportamentos suicidários, fatores de proteção e de risco, sinais de alarme e o que fazer em situação de crise, nomeadamente como procurar ajuda, tomando os professores/educadores como agentes de prevenção, visando a sua maior capacitação para o desenvolvimento de respostas adequadas perante o fenómeno. Conhecer para intervir e/ou conhecer para mediar e encaminhar são fases de um processo dinâmico e necessário.
Objetivos:
Pretende-se com esta Formação para professores atingir os seguintes objetivos:
– Sensibilizar os professores para a importância da promoção da saúde mental e prevenção de comportamentos suicidários em meio escolar;
– Desmistificar alguns conceitos relativos à saúde/doença mental e comportamentos de risco, nomeadamente comportamentos suicidários;
– Sensibilizar para o projeto + Contigo;
– Conseguir identificar fatores e comportamentos de risco no contexto escolar;
– Informar acerca da rede existente para a prevenção de comportamentos de risco;
– Informar acerca das estruturas e modelos de tratamento das dependências.
Conteúdos:
TRABALHO PRESENCIAL – 12horas
• Saúde mental versus doença mental – 2h
• Adolescência – 2h
• Depressão na Adolescência – 2h
• Comportamentos Suicidários (Conceitos, Epidemiologia, Mitos, Fatores de proteção e de risco) – 2h
• Como lidar no contexto da Saúde Escolar – 2h
• Projeto de Prevenção do Suicídio em Meio Escolar + Contig© – 2h
Metodologia de realização da ação:
A ação terá 12 horas presenciais, com Exposição Oral e Debates apelando a Metodologias ativas e participativas.
Regime de avaliação dos formandos:
Escala de avaliação de 1 a 10 valores, de acordo com a Carta Circular CCPFC-3/2007. A aprovação no curso dependerá da obtenção de classificação igual ou superior a 5 valores e da frequência mínima de 2/3 do total de horas da ação.
Modelo de avaliação da ação:
Preenchimento de um questionário online, por amostragem, pelos formandos, no final da ação, cujos dados serão tratados pela Entidade Formadora.